Acompanhamento da tramitação processual

As coisas em nosso país demoram a acontecer mas quando “ficamos em cima” elas acabam andando.
Muita coisa já mudou depois da minha denúncia ao MP de São Paulo.
Minha filha, graças a Deus, está ótima. Estuda em uma escola super atenta com as questões de inclusão, que acompanha de perto os passos de seus alunos, orientando, apoiando e se mostrando receptiva em todas as questões relacionadas a cada especificidade das crianças que lá se encontram em pleno desenvolvimento de atividades propostas e inovaram contratando uma pessoa responsável para ter um olhar mais atencioso ainda às crianças com necessidades diferenciadas, uma profissional dedicada e fantástica, que vai ao encontro do meu desejo como mãe e atualmente em processo de formação em Fonoaudiologia, o que tem ajudado imensamente na compreensão de todo o quadro e a ter uma visão mais abrangente e que me dá propriedade para analisar alguns aspectos. Este ano está cursando o 2. ano do fundamental e acompanha sem problemas as crianças ouvintes. Tenho contato com duas mães de uma sala da mesma série no Colégio Rio Branco e Amanda está bem mais adiantada que seus filhos. O que mostra claramente que a justificativa ridícula, discriminatória e preconceituosa daquela instituição de “ensino” é tão patética quanto as pessoas que ali analisaram e julgaram minha filha como INCAPAZ de acompanhar a sala “perfeita” deles.
No ano passado eu fui chamada no MP para prestar mais esclarecimentos, fui muito bem atendida pela nova promotora que está cuidando do caso e informada sobre como andavam as coisas. Essa semana recebi uma nova solicitação de comparecimento pedindo informações atuais da vida escolar da Amanda. Ou seja, eles não fecharam os olhos e estão acompanhando tudo muito de perto embora a gente ache que as coisas não estão andando.
O colégio, por sua vez, precisou se mexer e para mostrar que não faz discriminação e nem tem preconceito em aceitar crianças deficientes em sua unidade Higienópolis, abriu turma para Surdos e isso trouxe muita alegria em meu coração pois não teria acontecido tão rápido sem a nossa denúncia, eles estavam bem acomodados em sua zona de conforto, desacreditando que algum familiar tivesse a “coragem de brigar com peixe grande” como eu ouvi de um representante deles no MP. Um pequeno passo foi dado, e uma sementinha foi plantada.
Obrigada a todos que acompanham e que acreditam que são nossos pequenos atos que mudam o mundo.

Incluir não é somente dar um espaço físico para cumprir leis ou para marketing. Incluir é acreditar na potencialidade individual do ser humano e fornecer à ele o melhor para que ele possa alcançar o seu melhor.

Sheila Carvalho